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Aliada perfeita para combate a fraudes  e segurança cibernética

Quando se fala em cibersegurança no varejo, boa parte da atenção ainda está concentrada na matriz. É onde normalmente estão as equipes de tecnologia, os controles mais robustos e a maior capacidade de monitoramento. Só que uma rede não opera apenas na matriz.

Uma empresa com 150 lojas tem 150 ambientes que precisam funcionar todos os dias. São links, roteadores, switches, Wi-Fi, câmeras, terminais de pagamento, computadores, sistemas e equipamentos de terceiros espalhados por diferentes localidades. E nem sempre essas unidades têm a mesma infraestrutura, os mesmos fornecedores ou o mesmo nível de controle. Quanto maior a rede, mais difícil é manter a visibilidade sobre tudo isso.

O mito da segurança na matriz

O varejo brasileiro avançou em cibersegurança. A edição mais recente do Barômetro da Segurança Digital, estudo realizado pelo Datafolha, mostra que 73% das empresas do setor pesquisadas já possuem uma área própria dedicada ao tema. Ainda assim, ter uma área de segurança não significa, necessariamente, enxergar tudo o que acontece nas pontas.

Outro levantamento recente ajuda a entender essa diferença. O Fiserv Insights 2026 aponta que 25% das empresas pesquisadas não possuem gestão estruturada de segurança digital e 16% ainda estão estruturando essa área, sem soluções completas. O mesmo estudo mostra que apenas 12% citam o monitoramento de tráfego entre as medidas internas de segurança adotadas. Esse último número chama a atenção quando pensamos em uma operação distribuída.

A complexidade da ponta: mais do que apenas conexões

Uma loja pode estar há semanas com um link apresentando degradação. Outra pode manter um equipamento que deveria ter sido substituído. Uma terceira pode começar a registrar um comportamento de tráfego diferente do habitual. Nenhuma dessas situações significa, necessariamente, que existe um ataque. O problema surge quando ninguém percebe que alguma coisa mudou. Em uma loja, acompanhar isso é relativamente simples; em 50, 100 ou 150 unidades, a complexidade é outra.

Um exemplo clássico desse risco foi o megavazamento sofrido pela varejista norte-americana Target em 2013, onde invasores exploraram credenciais roubadas de um fornecedor de HVAC (climatização) para se infiltrar

A nova função do NOC: muito além da conectividade

É nesse cenário que o NOC passa a ter um papel que vai muito além de avisar que um link caiu. Em uma rede de varejo, monitorar significa acompanhar a disponibilidade e o desempenho dos links, saber quais ativos estão operando, identificar equipamentos degradados, observar o consumo de recursos, registrar incidentes e, principalmente, construir um histórico que permita entender o que é normal e o que saiu do padrão em cada unidade.

Esse tipo de visibilidade muda a forma de atuação da TI. Se dez lojas começam a apresentar o mesmo problema, a equipe consegue perceber a recorrência. Se uma unidade passa a gerar um volume de tráfego incompatível com seu histórico, o comportamento pode ser analisado. Se determinado equipamento deixa de responder, a informação chega antes da ligação do gerente dizendo que a operação parou.

Também existe uma fronteira cada vez menor entre infraestrutura e segurança. O NOC olha prioritariamente para disponibilidade e desempenho, enquanto o SOC se concentra em ameaças e eventos de segurança. Mas uma alteração incomum no tráfego pode ser uma falha de rede, uma aplicação mal configurada ou um sinal de atividade maliciosa. Quando essas duas operações compartilham informações, fica mais rápido entender o que está acontecendo e decidir como agir.

Essa integração ganha importância à medida que as redes crescem. Quando uma empresa passa de 50 para 100 lojas, não é apenas a operação comercial que dobra. Crescem também os equipamentos, as conexões, os fornecedores e os pontos que precisam ser acompanhados, enquanto a equipe de TI raramente aumenta na mesma proporção.

Por isso, a capacidade de monitoramento precisa crescer junto com a expansão. Abrir novas lojas sem ampliar a visibilidade sobre a infraestrutura é criar novos pontos cegos, justamente onde a empresa menos pode se dar ao luxo de não enxergar.

*Por Denis Furtado, diretor da Smart Solutions

Publicado em: Revista Varejo