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Aliada perfeita para combate a fraudes  e segurança cibernética

O avanço dos meios de pagamento digitais é, sem dúvida, uma das grandes histórias de crescimento da última década. Pix, carteiras digitais, embedded finance e a digitalização acelerada do consumo transformaram não apenas a forma como transacionamos, mas também a dinâmica de geração de valor de empresas inteiras.

Para investidores, isso sempre foi um sinal positivo: mais volume, mais recorrência, mais escala.

Mas há uma camada menos visível — e cada vez mais crítica — que começa a influenciar diretamente o valor dessas operações: o risco cibernético.

Quanto mais fluido e instantâneo o dinheiro se torna, mais atrativo ele fica para ataques. E diferente de outros setores, em meios de pagamento o impacto não é apenas operacional — ele é imediato, financeiro e, muitas vezes, irreversível.

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. De acordo com o relatório “Cost of a Data Breach”, da IBM, o custo médio global de uma violação de dados atingiu US$ 4,45 milhões em 2023, o maior já registrado. Já um estudo da Accenture aponta que instituições financeiras estão entre os principais alvos de ataques, concentrando uma parcela significativa das tentativas globais de invasão. No Brasil, o Banco Central já alertou para o aumento consistente de fraudes e incidentes relacionados a sistemas de pagamentos instantâneos desde a popularização do Pix.

Esse é o ponto de inflexão que muitas empresas ainda subestimam. Em um ambiente onde a transação é o próprio negócio, qualquer instabilidade deixa de ser um problema técnico e passa a ser, imediatamente, um problema financeiro. Não há espaço para margem de erro quando cada segundo de indisponibilidade representa perda direta de receita, ruptura de experiência e desgaste de confiança.

Ao mesmo tempo, o próprio crescimento desse ecossistema amplia a complexidade da operação. Novas integrações, APIs abertas, múltiplos parceiros e jornadas cada vez mais distribuídas criam uma infraestrutura mais poderosa — mas também mais exposta. Segundo a McKinsey & Company, empresas que aceleraram sua digitalização ampliaram significativamente sua superfície de ataque, muitas vezes sem maturidade equivalente em segurança.

O que se vê, na prática, é um descompasso perigoso. Enquanto os meios de pagamento avançam em velocidade exponencial, muitas estruturas de segurança ainda operam de forma reativa. Um levantamento da Deloitte mostra que grande parte das organizações ainda identifica incidentes apenas após impactos relevantes já terem ocorrido, o que aumenta exponencialmente o custo e a complexidade da resposta.

Em um cenário de transações em tempo real, esse “depois” já não é aceitável.

É por isso que começa a emergir uma mudança mais estrutural na forma como organizações lidam com segurança. Não se trata mais de proteger sistemas isoladamente, mas de sustentar a continuidade do negócio em um ambiente onde o risco é constante. Isso exige visibilidade contínua, capacidade de correlacionar sinais e agilidade para responder antes que a ameaça se converta em prejuízo.

Essa mudança, ainda silenciosa em muitas empresas, já começa a aparecer de forma mais clara na forma como as operações são avaliadas. Um estudo da PwC indica que fatores relacionados à resiliência cibernética já influenciam decisões de investimento e valuation, especialmente em setores altamente digitais e regulados.

No fim, o avanço dos meios de pagamento não está apenas criando novas oportunidades, mas redefinindo o que significa operar com segurança. E, cada vez mais, a capacidade de antecipar e neutralizar riscos deixa de ser uma camada invisível para se tornar um fator direto de valor.

*Denis Furtado é engenheiro de sistemas e diretor da Smart Solutions, distribuidora brasileira de solução antifraude e de cibersegurança.

Publicado em Finsiders.